CORRÊA, Felipe. OCUPAÇÕES URBANAS A Prática do Anarquismo Social no Rio de Janeiro.
Publicado en Protesta! XI 2005
Article mis en ligne le 27 de Janeiro de 2006
dernière modification le 25 de Abril de 2015

por r-c.
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Acreditamos que a maioria dos males que afligem os homens decorre da má organização social; e que os homens, por sua vontade e seu saber, podem fazê-los desaparecer. Errico Malatesta

Vontade; o elemento-chave colocado por Malatesta para impulsionar as mudanças sociais. Talvez seja essa a palavra que melhor representa o trabalho dos companheiros anarquistas do Rio de Janeiro. Em uma breve análise da recente movimentação libertária na cidade, podemos citar a fundação da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) como um marco. Seu processo de formação iniciou-se a partir de um grupo de discussões sobre as formas de organização do anarquismo e durou em torno de um ano e meio. Com o término das atividades do grupo de discussão, houve o consenso sobre a fundação de uma organização do tipo especifista (uma federação de individualidades anarquistas que constroem, no seio da organização, suas distintas frentes de atuação social). Desde sua fundação, que veio concretizar-se em 30/08/2003, a FARJ vem trabalhando em inúmeros projetos, cujo principal objetivo é colocar as idéias anarquistas em prática. Como diz seu próprio Manifesto de Fundação, “a sociedade do futuro nascerá de nossa capacidade de realizar, a partir de agora, cotidianamente, as generosas aspirações que o anarquismo, ao longo de várias gerações de luta e esforço militante, legou à humanidade”.

Dentre os inúmeros projetos desenvolvidos pela FARJ, está o Centro de Cultura Social (CCS), localizado na zona norte da cidade, que serve de espaço para o trabalho comunitário, recebendo assembléias de muitos tipos, produção autogerida de bolinhos juntamente com membros da comunidade do Morro dos Macacos, reforço escolar, reciclagem, prática de capoeira - ensinada como autodefesa e cultura de resistência - e ainda abriga a Biblioteca Social Fábio Luz desde 2001. O CCS funciona como um espaço de militância ampliado, é uma frente de trabalho da FARJ, dentro da qual colaboram outros grupos como o Coletivo Libertário Ativista Voluntariado de Estudos (CLAVE) e o Grupo de Ação Libertária (GAL). Além destes grupos marcadamente anarquistas, ainda estão no CCS outros organismos de atuação social com os quais a FARJ tem afinidades táticas e concorda em alguns pontos específicos no que, grosso modo, poder-se-ia considerar estratégico. Entre esses estão o Comitê Contra a Tortura e a Prisão Política no Brasil e outros com formação ideológica eclética.


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